quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cães de Trabalho I – Cães de Busca e Salvamento

Foi com grande pesar que assisti às tristes e impressionantes cenas dos destroços deixados por explosões ocorridas hoje, em um estabelecimento que vendia e fabricava fogos de artifício em Santo André/SP. A força das explosões atingiu diversas casas, deixando ao redor um cenário de horror e completa destruição, como se aquele local houvesse sido, literalmente, bombardeado.



Poucas horas depois do ocorrido, começaram a chegar os cães farejadores, para auxiliar os bombeiros na localização e resgate de sobreviventes, ou mesmo de corpos. Ver os cães exultantes com a possibilidade de fazer aquilo que sabem me encantou, como sempre... Em outras situações já havia me emocionado com a cena, como no desabamento das Torres Gêmeas, no soterramento de pessoas durante obras do metrô de SP e após as enchentes em SC, em novembro de 2.008. Devo confessar meu verdadeiro fascínio sobre tudo que diz respeito a cães de trabalho e seu treinamento. E os cães de resgate e salvamento são mais um exemplo de como os cachorros podem se tornar, além de amigos fiéis e leais, verdadeiros heróis.

A utilização de cães em missões de resgate e salvamento tem um motivo simples: nossos amigos têm cerca de 200 milhões de receptores de odores, 40 vezes mais do que os seres humanos. Essa característica facilita e agiliza - muito -, as missões de busca e salvamento após terremotos, explosões (como foi o caso), avalanches, desabamentos, etc.

Os primeiros cães utilizados para esse fim trabalharam durante a Segunda Guerra Mundial, na Grã-Bretanha. Atualmente, é na Suíça que encontra-se a mais avançada instituição que treina cães para este tipo de trabalho.



Qualquer cachorro, independentemente de raça, pode ser treinado para ser um cão de resgate, desde que tenha as seguintes características: ser dócil, ter inclinação natural para procurar/farejar, ser resistente, ter sentido de cooperação, ter coragem e inteligência. Mas as raças mais utilizadas são: Pastor Alemão, Boxer, Pastor Belga, Labrador, Doberman.

O treinamento começa com o cão procurando seu dono/tutor em locais destinados a este tipo de exercício, sendo efusivamente recompensado sempre que encontra seu líder. Em estágios mais avançados, começa a procurar outras pessoas, também sendo recompensado ao localizá-las entre escombros simulados, tais como canos, papéis, pedaços de madeira, etc. As situações de perigo, como caminhar sobre vigas ou terrenos instáveis, são também simuladas durante o treinamento.

Os cães são treinados para indicar se há uma pessoa viva debaixo dos escombros, latindo com entusiasmo, o que demonstrará que o socorro deve ser rápido e imediato. Mas também são adestrados para indicar quando se tratar de odor de pessoa morta, oportunidade em que se limitam a sentar e indicar o local.

O vídeo ao final deste post mostra um exemplo de uma parte do treinamento de cães de salvamento.

Segundo matéria no site Dog Times, as duplas devem ser compostas pelo cão e seu dono ou treinador, pois o cão não vai trabalhar com a mesma eficiência com uma pessoa desconhecida, já que o objetivo do amigo de quatro patas é, como sempre, agradar o dono.



Deve-se sempre controlar o período de tempo em que os cães são submetidos ao trabalho de busca, para que o resultado se mantenha satisfatório e também para não estafar o cachorro a ponto de comprometer seu bem-estar. O usual é que trabalhem por quatro horas diárias, em turnos de meia hora.

Pensar em como o melhor amigo do homem pode salvar vidas de forma tão eficiente é emocionante. E a imagem de um cão demonstrando alegria e entusiasmo ao realizar tão árduo e sofrido trabalho não deixa de ser mais um exemplo de conduta a ser seguido pelos seres humanos...

Fontes:
"Adestramento Inteligente", Alexandre Rossi
"Larousse dos Cães"
"The Encyclopedia of The Dogs", Dr. Bruce Fogle


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3 comentários:

  1. Nossa, Cassia, que interessante! Fiquei só imaginando o Picolé, um labrador estabanado que temos lá no sítio, como cão de resgate! Acredito que devamos nos importar mais em ensinar-lhe alguns truques em vez de só mimá-lo com biscoitos! Abraços.

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  2. Olá, Maria Teresa! Eu me diverti muito ensinando alguns comandos para a minha Winie! E é interessante notar como os cães adoram o treino (que para eles é uma deliciosa brincadeira) e também como aprendem rápido! Abraços!

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