Ontem o CãoAmor respondeu uma dúvida de leitor do Mãe de Cachorro: o cãozinho ataca pessoas que passam na rua onde costuma ficar. Uma situação delicada e perigosa, tanto para os transeuntes quanto para o próprio peludo.
Já fui questionada em mais de uma oportunidade acerca deste tema: é melhor ter um, dois, ou mais cães em casa? Problemas comportamentais surgem com maior frequência quando o cão vive numa casa composta somente por seus "humanos de estimação" ou quando há convivência também com outros cães?
Já falei sobre agressividade no blog em algumas oportunidades (leia aqui o primeiro post sobre o tema). Já neste outro post, falei sobre como identificar os sinais de agressividade (isto é importante, pois algumas reações dos cães que denotam agressividade costumam ser interpretadas como brincadeiras...). Finalmente, neste outro texto tratei de mitos e verdades sobre agressividade x raça.
Recentemente, a amiga Ana Corina, do Mãe de Cachorro, me pediu para esclarecer uma dúvida de uma leitora sobre como agir para separar uma briga entre cães, especialmente grandes e fortes.
A resposta foi publicada ontem, e está disponível aqui.
É impossível refletir sobre agressividade canina sem que nos venham à mente as chamadas “raças assassinas”: Rottweilers, Pit Bulls, Starfordshire Terriers, Filas Brasileiros, dentre outras...
Mas até que ponto pode-se realmente afirmar que um cão representará risco apenas por pertencer a determinada raça?
Antes de qualquer coisa, é importante mencionar que reações agressivas em geral são normais entre os cães, já que, muitas vezes, trata-se da forma como eles resolvem determinados problemas sem que tal resulte, necessariamente, em perigo ou numa condição patológica.
Um exemplo: uma pessoa está com seu cão num parque e outro amigo de quatro patas, muito mais efusivo, se aproxima, pula, cheira, dá pequenas mordiscadas, até que o cão mais tranquilo dá seu aviso de “chega para lá”, rosnando e se projetando para frente. Qualquer um que tenha cão certamente já se deparou com uma situação semelhante a esta. E como o cão que estava sendo “importunado” resolveu a situação? Demonstrando agressividade. Isto, por si só, o torna um cão perigoso? De forma alguma.
A questão principal é verificar se a reação agressiva deve ser interpretada como normal ou anormal. Cães que apresentam reação agressiva normal o fazem em circunstâncias que a justificam, mas são capazes de inibi-la. Já cachorros que apresentam comportamento agressivo anormal percebem ameaças onde elas não existem e tem muito mais dificuldade em modificar suas respostas a este suposto perigo. Para estes, a assistência de um especialista em comportamento animal torna-se essencial.
Além disso, o comportamento agressivo pode ser influenciado pela genética, experiência ou uma combinação das duas situações (como é mais provável).
Feitas essas considerações, voltemos às raças. Realmente, há algumas raças predispostas a certos tipos de agressividade, como cães de guarda, que podem ter tendência a agressão territorial. Mas é muito importante destacar que cães de qualquer raça podem demonstrar agressividade! “Rótulos” baseados unicamente na raça do cão costumam gerar mitos que sobrevivem como verdades absolutas!
Postei recentemente um vídeo que mostra um lindo e gigante Fila Brasileiro, absolutamente dócil e submisso a uma criança bem pequena...
Aqui, o lindo Krueger, um Rottweiler que vive com seus donos, Carol e Régis e é um dos cães mais dóceis que já conheci:
Krueger e Nemo - convivência pacífica
Enorme, mas extremamente meigo!
Sim, é possível! Não é montagem!
Evidentemente que há relatos de agressão dirigida a pessoas e outros animais, perpetradas por cães de guarda, assim como acontece rotineiramente com cães de companhia. Mas, evidentemente, a gravidade de um acidente com cães grandes e fortes acaba sendo o combustível para muitos discursos vazios e inflamados...
Se a pessoa tem um cão grande, forte, com acentuado temperamento de guarda, deve tomar todas as cautelas necessárias para que a convivência seja pacífica, em todos os âmbitos. Caso não pense assim, não deveria ter qualquer cão como companheiro.
Assim, antes de catalogar um cão como agressivo e perigoso apenas pela raça, importante analisar seu temperamento, o meio em que vive, como é tratado pelas pessoas e as situações em que eventualmente se mostra agressivo.
P.S. – este texto estava pronto desde ontem. E hoje, ao revisá-lo, me deparei com este vídeo no Mãe de Cachorro. Mexeu profundamente comigo... E, em pouco mais de 3 minutos, resume de forma maravilhosa todo o conteúdo acima:
Fonte de Pesquisa: "Comportamento Canino e Felino", Debra f. Horwitz e Jacqueline c. Neilson Fotos: Carol Martins (obrigada, querida!)
Continuando a discussão sobre este assunto polêmico e importante para todos os que gostam e convivem com cães, é muito importante ter alguns conceitos bem claros. Vale lembrar: em muitos casos, as situações envolvendo cães com comportamento agressivo podem ser bem perigosas, sendo indicada a orientação de um profissional para que o manejo seja seguro e o tratamento, eficaz.
O que se entende, efetivamente, por comportamento agressivo de um cão? Trata-se de uma ameaça lesiva dirigida a um ser humano ou outro animal, tendo por objetivo intimidar ou machucar.
A agressividade considerada sob o ponto de vista comportamental pode ter influência do meio ambiente, da raça do cão e herança genética, ou um pouco de cada um destes elementos.
Mas nem toda demonstração de agressão por parte de um cão pode ser entendida como um desvio comportamental. Há, sim, o comportamento agressivo considerado normal, ou seja, aqueles em que as circunstâncias justificam a agressão. Cães, em geral, tem inibição de morder: não mordem ou, se mordem, não rompem a pele (só dão um "aviso"), a menos que injustificadamente provocados.
Neste sentido, um exemplo bastante comum para todos que convivem com cães: quem já não se deparou com um lindo cão passeando na rua com o dono e outra pessoa chega perto para acariciá-lo na cabeça e o que se vê em resposta são rosnados e latidos do peludo? Trata-se de um cão perigoso? Não necessariamente! A reação é perfeitamente normal e esperada! Imagine a cena agora do ponto de vista do cão: trata-se de um humano estranho, chegando com os braços erguidos e mostrando os dentes (num sorriso!), que tenta colocar a mão sobre sua cabeça! Evidentemente que a situação denota perigo do ponto de vista canino e uma reação do tipo "chega para lá, afaste-se de mim" é compreensível!
Já o comportamento agressivo anormal pode ser entendido como aquele em que o cão percebe ameaças onde elas não existem. Tratam-se de situações que envolvem grande risco e maior desafio para que sejam controladas, até porque fica difícil saber quando ocorrerão.
Finalmente, é muito importante conseguir perceber os sinais de agressividade que os cães geralmente apresentam antes de partir para o ataque: manter-se imóvel, tenso (com o corpo rígido) e com o olhar fixo, rosnar de boca aberta ou fechada, latir agressivamente, morder o ar, morder de fato.
No site Saúde Animal há uma figura bastante ilustrativa das diversas fases até que o cão demonstre agressividade:
Saber identificar os primeiros sinais de agressividade pode ser um diferencial importante para o tratamento e também para evitar acidentes.
Em breve, mais informações sobre os tipos de agressividade.
Fontes consultadas:
"Adestramento Inteligente", Alexandre Rossi
"Comportamento canino & felino", Debra F. Horwitz e Jacqueline C. Neilson
Esse é um tema que vem ocupando minha mente e meu dia a dia... Cães que, em algumas situações pontuais, apresentam comportamento agressivo. De todas as raças, tamanhos, cores. Um problema mais comum do que se imagina, mas cujos históricos muitas vezes restringem-se à família, visto que os "acidentes" são causados por peludos pequenos e as consequências não são tão graves.
A balbúrdia acontece quando sinais de agressividade surgem em indivíduos de grande porte e, principalmente, de determinadas raças sumariamente apontadas como "agressivas" e "perigosas". Há, inclusive, um projeto de lei em tramitação, visando regulamentar a posse e responsabilidade dos donos de cães dessas raças.
Assim, acho importante que informações sobre o assunto sejam divulgadas de forma ampla e de fácil compreensão. Em muitas situações, a agressividade pode ser controlada, sendo importante para os que convivem com os cães identificar as situações em este comportamento ocorre, para que não seja constante e inconscientemente reforçado.
Em breve, mais posts com detalhes sobre o assunto.